segunda-feira, 30 de março de 2009

quinta-feira, 26 de março de 2009

[#2 - Lembra-me]

Sou daquelas pessoas...

...que gosta dos pormenores. Das coisas pequenas que ninguém vê. De um embrulho com fita de cetim, por exemplo. De um bilhete escondido na agenda num dia ao calhas. Gosto particularmente dos cheiros e de dar um cheiro aos sentimentos. Gosto de fazer surpresas. Gosto que mas façam, mas nunca conseguem. Gosto de pormenores.
Faltam 4 dias para o meu aniversário. É uma segunda-feira, logo, aí está um pormenor de que não gosto nada. Às segundas, toda a gente ressaca do Domingo, que foi passado a ressacar do Sábado. E no dia seguinte, toda a gente trabalha, por isso, não vai haver jantar para ninguém. No dia 30 não vou receber presentes-surpresa, de que gosto tanto, mesmo que seja um só chocolate. Tenho um fondue vermelho, na mesa, por montar, um vestido vermelho, no cabide, por estrear, umas Melissa do meu irmão que fez questão de se descair, e o pinky pink por onde vos escrevo há quase uma semana. Não vou ter bolinho nem velas para apagar. Nem vou ter os amigos e os pais à minha volta para me apaparicar.
É feio reclamar de barriga cheia, não é? Mas eu só queria uma surpresa. Um embrulho para rasgar. Um sorriso em forma de olhos brilhantes. Um abraço apertadinho. Pois... Mas pelos vistos, não vou ter.
...E estou triste.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ainda em relação ao Cilinho Baptista...

...que conste que, embora eu tenha manifestado um desejo singular e... vá... forte, que o senhor em questão sofresse um assalto pelas traseiras, não uma, mas duas vezes, devido à pouca vergonha do já gasto assunto do erro de arbitragem que levou a que o meu Sportem ficasse a ver navios, repudio manifestamente esses animais que resolveram enviar via e-mail (vivam as tecnologias!) o desejo profundo de o ver num caixão num futuro próximo. E mais acrescento que andar para a frente é que é, e que o universo tem muita força. Para ser sincera, ainda não perdi a esperança de o ver a arbitrar um jogo qualquer com um andar estranho. Isso sim, dar-me-ia o sentido de justiça.

terça-feira, 24 de março de 2009

Desta tarde...


Há coisas que me fazem sorrir. Não por serem necessariamente cómicas, ou enternecedoras, ou comoventes, ou outra coisa qualquer. Há coisas que me fazem sorrir só porque sim. Porque me batem à porta do lado esquerdo do peito.
Caía a noite. Nas ruas de Lisboa, vultos acotovelavam-se, numa corrida para ver quem chega primeiro a casa. E eu passeio no passeio, com passos de bailarina, porque não tenho pressa. Vou passando os olhos nas nuvens que hoje parecem-me ainda mais bonitas. Despeço-me do sol, que me acena atrás delas. E sonho um dia poder tocar no céu, onde elas vivem.
De repente, fixo o olhar num ponto elevado, para onde já ninguém olha, porque não passa de uma dor de cabeça. O Tejo precisa de obras. Não pode esperar mais, parece. E as pessoas desesperam. Olho para os homens que ainda trabalham, ainda que tenham pressa de chegar a casa. Que trabalham onde ninguém quer, mas ainda assim, trabalham, porque o Tejo não pode esperar. Olho para eles e sorrio. Só porque sim. Porque me bateram à porta do lado esquerdo do peito.

Hoje invejei estes homens. Gostava de um dia poder tocar no céu. Assim.

segunda-feira, 23 de março de 2009

[#1 - Lembra-me]


Recadinho ao Sr. Lucílio e a todos os Lampiões que se riem neste momento...

...ide todos levar no real traseiro, sim?

Estou para ver o que é que os quatro totós da Tertúlia Benfiquista (Corto Maltese, desculpa aí qualquer coisinha, que eu até vou à bola contigo) vão dizer na Benfas TV. "Ah e tal, é para compensar as vezes que fomos roubados!". Até já lhes consigo adivinhar o pensamento, ou não fossem tão previsíveis, os doentes. E eu digo-vos, meus alarves queridos, que quando são roubados dói, não dói? Mas devia doer igual levar uma taça roubada e ainda ter a lata de festejar.
Se quiserem subir na minha consideração, mudem de argumento, sim?
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Em relação ao pedido de desculpas do Cilinho, vai levar no cu duas vezes, com esse pedido!

Ai, o Mourinho...

Hoje seria um bom dia...


...para estar com o meu amor. Não está sol, mas não se trabalha, por isso, é como ter mil sóis a brilhar só para mim. Para melhorar a coisa, o meu amor também estaria de folga se... se não fosse pelo sacana do Mourinho e o seu Doutoramento Honoris Causa. Agora lá está ele (agora que é como quem diz, desde as 7h30), a sufocar de calor e a respirar o ar expelido por 150 jornalistas do mundo inteiro. E eu sozinha com a gata, que para variar, está com o cio outra vez. Merda para o Mourinho. Ao menos que eu estivesse lá também para (com)provar o estilo charmant do Special One. E agora que penso nisso, quero lá saber do calor, e dos 150 jornalistas, e dos mil sóis que brilham para mim, porque hoje não se trabalha. Já devia era lá estar. Nem que fosse para dar aguinha ao Zé Mário.

domingo, 22 de março de 2009

E eis que...


...hoje ainda é 22, faltam 8 dias para a efeméride, e este menino já cá canta! Obrigada, pai!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Google Analytics

Desde que aderi a esta coisa, e embora ainda esteja a tentar perceber bem como é que a tal coisa funciona, tenho divertido a carcaça com algumas das proveniências das minhas queridas visitas. Mas nunca, nunca antes me tinha aparecido alguém que aqui chegasse com a simples frase: "simpatias para homem demora agozar ".
Eu não sou bruxa, por isso, não sei nenhuma simpatia que faça "homem gozar". Sei outras coisas, que não envolvem simpatias, mas que até serão simpáticas se o intuito for fazer o "homem gozar"(coisa que ficará para outro post). Além disso, acho que tão pouco alguma vez referi algo semelhante a que fosse possível alguém do outro lado do mundo vir cá dar assim.
Mas como eu sou "simpática" e não quero que vos falte nada, se querem ver o vosso "homem gozar", podem simplesmente aplicar uma máscara caseira à base de abacate, mel e gema de ovo, na cara, e esperar pelo gozo, que em princípio não vai demorar. Isto se o homem não morrer de susto antes, mas vocês lá sabem o que têm em casa.

Dica Doméstica

Lavar uma panela, um prato, ou qualquer recipiente de cozinha que ficou esquecido por um mês ou mais, num sítio que vocês nunca se lembrariam de visitar, a menos que o cheiro incomodasse ao ponto de não conseguirem conviver, é terrível. Se vocês são daqueles que pegam no recipente e sem cerimónia nenhuma, mandam-no para o lixo, esta dica veio mesmo a calhar. Porque os tempos são de crise, e como a crise se instalou desde que D. João II morreu e não deixou sucessor à altura, temos de poupar. E a vossa amiguinha descobriu a solução ontem e não quis deixar de partilhá-la convosco.
Ora bem, para lavar esse nojo, preparem-se para apertar o nariz com uma mola. Pode doer um bocadinho no início, mas é daquelas coisas que tem mesmo de ser (como ir à depilação: doi, mas é por um valor mais alto (a)levantado, por isso vale a pena). Depois, juntam uma boa dose de raiva (por variadíssimos motivos, e cada um encontrará o seu - no meu caso, foi uma discussão com o homem cá de casa, que me tira do sério de vez em quando) e toca a puxar o lustro à coisa. Em menos de nada, o recipiente está limpo e a brilhar, de tal forma que conseguirão ver que a vossa face cheia de linhas de irritação, acabou por diluir-se na água e ficarão tão satisfeitos com o resultado que quase (atenção que eu disse quase) esquecerão o motivo pelo qual vos fez lavar aquela merda como se não houvesse amanhã.
Se forem do género limpinho, que não deixa nem um garfo do jantar para lavar ao pequeno almoço, na melhor das hipóteses, e ao jantar do dia seguinte, na pior, também tenho a solução: É deixar um recepiente sujo escondido do vosso campo de visão e de odor (sugiro a gaveta que alguns fogões têm), para momentos em que é amplamente necessário que, ao invés de destilarem raiva nos bibelots, ou no gato, serão canalizados para a panela nojenta.
No entanto, se vós fordes daquele tipo de paz de alma que não se azucrina com nada, só tenho uma coisa a dizer: bilhete directo, e sem escala, para o céu. Como eu sei que, das duas, uma, ou vou arder no inferno, pelo meu feitio tempestuoso (ou não fosse eu Carneiro), ou passarei largos tempos no purgatório, sendo motivo para diversas reuniões entre aqueles de direito, para decidir se a minha alma terá ou não salvação, tenho a certeza de que esta solução é óptima para mim.
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NB - O pomo da discórdia foi precisamente a louça que havia por lavar, coisa instituída e votada democraticamente, assente na Constituição Doméstica do Lar, em que o deputado Male faltou com os deveres (um dos poucos, no que toca à labuta da casa) para os quais foi investido e declarado, tendo o deputado Female ficado com trabalho a dobrar, comme il faut. A gata, representante do povo, sem direito a voto, senão nas eleições, resolveu manifestar-se à sua maneira, e esta noite dormiu, apenas e só, aos pés do deputado Female, e nem deu o beijinho de boa noite ao deputado Male. Está bem educada, está pois... É mulher e está tudo dito!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ontem tive vergonha de dizer que sou do Sporting. Engraçado, engraçado é que hoje continuo a ter vergonha.

terça-feira, 10 de março de 2009

Adeus!


A sério. Preciso de um computador novo. Este aqui está tão velhinho, tão velhinho que os movimentos tornam-se, a cada dia que passa, mais lentos. De vez em quando, apaga-se. Desliga. Puff! Assim, do nada. Além disso, o meu computador não é fininho como os que agora se vêem por aí. É mais para o grosso. Metabolismo lento, eu diria. Problemas de idade.
No entanto, tenho um carinho especial por ele. Por cada botão, por cada tecla, pela cor, já meia deslavada. Tenho um carinho especial por ainda ser XP, e não Vista, que é uma coisa que, de tão seca, só me apetece esganar (sempre a perguntar se eu tenho mesmo a certeza que quero fazer o que pedi). Tenho um carinho especial por me ter acompanhado tantas vezes à faculdade, por ter viajado tantas vezes comigo de avião, ainda no tempo em que não pediam para abrir a mala para confirmar se é, de facto, um computador que transportamos numa mala de computador. Por guardar tanta foto, tanta música, tanta merda que eu nem sei para que é que guardo, mas está lá, enfim...
Mas é um facto, está velhinho e começa com os achaques. Há uns dias reparei que anda a gaguejar o E. E chateia escrever palavras amputadas de E. E chateia mais ainda só reparar nisso depois, e ter que andar a emendar tudo. E por incrível que pareça, deixa-me ainda mais chateada perceber que a nossa Língua está cravejada de E's, e agora que penso nisso, até o meu nome completo tem dois. Mas o do meu irmão tem quatro.
Tenho um computador velhinho, gasto pelo tempo, gasto de E e gasto de cansaço. Tenho para mim que a próxima letra a pedir clemência será o A. E, meus amigos, teclado cansado de E e de A não pode ser.
Preciso de outro. Urgentemente.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Serei só eu?

Antes de relatar pormenorizadamente a semana que passou, pelas minhas bandas, alguma alminha caridosa explicar-me-ia porque raio os jogadores da bola têm a... vá!, a tendência de falar na 3ª pessoa do Singular, quando se referem aos próprios?
Ó Miguelinho, eu que até gosto de ti (mais por obrigação clubística), que até tens uma fronha engraçada, embora denote aí um ou outro traço feminino, e porque entendo perfeitamente que faltar aos treinos para ir ao cabeleireiro pintar as raízes, é um motivo mais que justo, tenho uma perguntinha para t fazr: porque é que agora te deu para falar à Jardel? Eu que estava de costas para a TV, pensei cá com os meus botões: olha, o empresário do Miguel Veloso tem a voz igualzinha à dele, e depois vi que não, que eras tu...
Não fica bonito, Miguelinho. Acredita na minha pessoa, que a Laura é que sabe.

O relato fica para depois, sim?

segunda-feira, 2 de março de 2009

Coisas do Arco da Velha

Hoje é Domingo. Não é, mas é como se fosse. Tirei o dia para limpar e arrumar a casa como deve ser, por isso bafejar o dia soalheiro só pela janela quando estender a roupa. No entanto, saí de casa há bocado para comprar tabaco. Estou a reduzir (cigarrinho só depois das refeições, sendo que em muitos dias nem isso) mas apetecia-me fumar e não havia nada em casa. Indumentária: vestido cinzento, collants e as Melissa novas que afinal não foi nenhuma das que pedi, mas são giríssimas e - maravilha - servem-me! Maquilhagem, nem vê-la, só um brilhozinho nos lábios para compor. Afinal, ia só até ao café da esquina, onde bebo a bica diariamente desde há 4 anos, quando me mudei para cá, e onde já comprei maços de tabaco suficientes que em Euros dava para ir até Nova Iorque e ficar instalada no Hilton durante uma semana.
Peço o que tenho a pedir e do outro lado do balcão, a velhota responde-me:
- Tu tens 18 anos?
Toda eu corei. Se tenho 18 anos? Tenho 24, quase, quase nos 25. Noutras alturas, talvez daqui a 20 anos, se me tirarem 10 fico feliz, mas não quando quero comprar tabaco e não tenho o BI comigo, já que saí de casa SÓ para comprar tabaco.
- Nasci em '84, minha senhora, já tenho 18 anos, pelas minhas contas, há quase 7.
- Não me parece que tenhas 18 anos, e não te posso vender tabaco.
Fosga-se, já passei pela Universidade, já saí, já trabalhei numa data de sítios, vivo sozinha há 7 anos, fumo desde os 18 (curioso, no mínimo), já joguei em Casinos só pela piada, mas não achei piada nenhuma em si, e agora este dinossauro não me quer vender tabaco porque duvida da minha idade cronológica?? Ainda se fosse pela mental, aí tenho de reconhecer, muitas vezes pareço uma miúda de 5 anos, e outras vezes uma velha da idade dela, mas não, segundo o Registo Civil, tenho 24 anos, a completar 25 no fim deste mês, por isso, dê-me lá o tabaco e não se fala mais disso.
- Oh (i)Ana, anda cá! Esta menina não tem 18 anos pois não?
- as velhas do café todas a olhar para mim, como se eu fosse uma criminosa e a qualquer momento pudesse barricar-me lá dentro, usando as suas carcaças como reféns e moeda de troca (por tabaco) -
- Não parece ter, não senhora...
- Está bem, vou comprar a outro sítio...
- Vá, vá, diz lá qual é o tabaco...
O tom condescendente foi fofinho (afinal sempre era para vender alguma coisa). O tratar por tu, foi nota máxima como quem diz: "Não acredito em ti, tens 15 anos, queres engrominar aqui a velhota, e ainda por cima com uma merda que faz tão mal e que vai acabar por te matar", mas eu só queria o tabaco.
No fundo, deveria ter interpretado isto como sendo um sinal. Não é suposto eu estar a deixar? Devia ter ido para casa. Mas não... Assim que chego à rua, acendo um cigarro e nunca uma merda daquelas me soube tão bem...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O porquê de ser humanamente impossível confiarmos nos homens *

O meu irmão foi ao Rio. O de Janeiro, esse mesmo. O meu irmão, que aos 4 anos mascarou-se de palhaço e não gostou da fatiota, tendo como resultado meia dúzia de fotos com a fronha (cara, entenda-se) cheia de lágrimas, foi ao Rio. O meu irmão que não gostava nem um bocadinho de Carnaval, foi ao sambódromo dançar e ver dançar.

Antes que pensem que estou verde de inveja, tenho a dizer que não, pelo contrário. Fiquei muito feliz com esta oportunidade vinda do céu e sem ninguém esperar, de ter quem me trouxesse umas Melissas da nova colecção, que se, SE, vier para Portugal, só para o ano e a preços que, valha-me N. S. dos Sapatos de Plástico, não abonam muito a favor. Como só me deu a epifânia já o menino dançava no calçadão de Copacabana, enviei-lhe um mail extremamente detalhado de quais os modelos que gostaria que ele me trouxesse (dei-lhe liberdade para escolher um ou mais) e com fotos a ilustrar e que passo a partilhar convosco:
Esta:
Esta aqui:
Ainda esta:
E finalmente esta, que está na minha whislist de sempre:



Ora bem, tal como podem vocês observar, não só deixo cores como o número do meu pezinho delicado. Tive o cuidado de transpor a numeração europeia para a congénere brasileira, não fosse o meu maninho trazer-me um modelo enorme. Mas a coisa correu mal desde o início. Disse-me o mano que a colecção nova só estará nas lojas em Março. Eu não poderia ter uma "sorte" mais cabra. Março é amanhã. Podiam abrir a excepção aqui à je. Tive que engolir em seco, procurar outros modelos e mandar novas fotos, devidamente legendadas e esperar com o coração aos pulos, pelo meu pedido.
Sabendo que o diabrete está cá desde 5ª feira e não me diz "água vai, água vem", tento com todos os recursos de esforço que há no mercado, controlar a curiosidade, a ansiedade de saber se mas trouxe ou não. Hoje não aguentei. Encontrei-o no MSN (é fofinho os manos falarem-se via MSN em vez de se encontrarem pessoalmente, não é?) e encostei-o à parede do ecran. Trouxeste? Népia. Disfarço a raiva com um, ooh, está bem, e só me apetece é ganir. Do outro lado recebo um "ahah!". E as esperanças voltam ao de cima num turbilhão de emoções (agora com a curiosidade a comandar as hostes). Qual é? Isso agora..., responde. Eu, na minha ingenuidade, penso que o meu irmão não deverá saber de cor os nomes dos modelos. Mais uma vez, está a gozar comigo, porque quando lhe pergunto a cor, dá-me resposta igual.
De repente pergunta-me: Qual é o teu número europeu? E eu, 37 mas em Melissa 38 senão magoam-me. Do outro lado: Fod*-se! Comprei 37. Não me lembrava do teu número.
Conclusão: Era só o que faltava agora, depois disto tudo, ter umas Melissas giríssimas que não me servem por um pentelhésimo. Com licença, que eu vou ali limar os dedos dos pés e já volto.

* Ou a frustração desmedida por ter
assinalado em tudo o que era sítio o
número do pé da princesa, e mesmo assim,
o estupor ter conseguido falhar...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ode à minha gata


Há uns meses, nunca pensei dizer que estou apaixonada. Nunca gostei muito de gatos, preferia os cães, embora nunca tenha tido nenhum. Os meus pais sempre foram contra a ideia de manter num apartamento, ainda que não muito pequeno, um animal de quatro patas, que precisava de correr e de brincar, para se desenvolver convenientemente. Mas gatos, não. Nunca. Sempre achei que fossem bichos traiçoeiros, que não interagiam com os donos, donos supremos de uma independência maior que o tamanho deles.

Mas isso era dantes, quando ainda não conhecia a Bruma. Apaixonei-me pelo seu olhar doce, mas triste, que adivinhava uma vida difícil para o seu meio quilo de peso. Abandonada pela mãe, livrou-se de uma morte certa, quando foi descoberta por uma pessoa maravilhosa que tenho a sorte de ter por amiga, que conheci, quando resolvi adoptá-la. Estava doente, mas foi tratada convenientemente. Lembro-me da tarde em que fui a casa da R. conhecer o meu bebé. Arrastei o J. que tinha uma posição ambivalente (também nunca achara muita piada a gatos) e ficámos rendidos. Duas semanas depois, estava já a correr e a saltar no nosso tímido T1 e posso afiançar, estava feliz.
A Bruminha é uma gata que conquista toda a gente, até os meus pais, que sempre foram contra. Brinca com tudo e com todos, morde como quem dá beijinhos, faz sprints fantásticos, que envergonhariam qualquer altleta olímpico e à noite, dorme aos meus pés, ou nas pernas, ou na barriga. Mas dorme sempre comigo. Tem uma personalidade forte, fica amuada se não tem atenção e verdade, verdadinha, só lhe falta falar. Já me lambeu as lágrimas para me consolar e já tentou proteger-me de algum pesadelo.
E vê-la crescer? Todos os dias é um novo dia, cheio de aprendizagem, sempre capaz de nos surpreender, de nos colocar um sorriso na cara. Já me partiu coisas que eu adorava - que raiva! - e hoje em dia, sei que não posso ter tudo aquilo que gostaria à mão, porque muito provavelmente será roído. Deixou a árvore de Natal ao chão várias vezes, mas a irritação passou-me. Tenho despesas ao fim do mês que não tinha - a comida é da melhor que há - e vejo-me agora a passear nos corredores dos animais, no supermercado, à procura de um brinquedo para ela.
Ir ao veterinário é um suplício para mim e tenho a certeza de que me dói muito mais, do que a ela. Recentemente esteve com o cio, mas vai ser esterilizada.

Agora que escrevo este post, vejo-a a dormir no sofá, aninhada entre a manta e uma almofada. Ouço-a a respirar e sorrio. Estou sozinha em casa e não poderia ter melhor companhia.
Hoje percebo todas as minhas amigas, a quem um dia apelidei para comigo de fanáticas. É um facto. Estou apaixonada pela minha gata.
Se há coisa que me irrita, que me tira do sério, que me põe com vontade de dar um estalo a alguém que eu até sei exactamente quem, é o Jornal da Noite de 6ª Feira, apresentado pela Manela Boca Guedes. Que raio é isto, meu Deus? Alguma coisa há-de ser, menos jornalismo, com certeza.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Do meu Carnaval...

...restou a maquilhagem que não tirei da cara antes de ir dormir (crime!) e umas quantas fotos que vou usar quando precisar de coagir umas certas pessoas (infelizmente a decência e o bom senso impedem-me de deixar aqui alguns desses registos).
Não fui para a Comuna coisíssima nenhuma. Fomos jantar a casa do X., que é a modos que, o headquarters do bando, nas horas que antecedem uma saída. Meia dúzia de mascarados, uns melhores, outros piores, minutos de contemplação - de auto-contemplação, entenda-se - copinho ou cerveja na mão e o género masculino refastelado no sofá a jogar PES. Basicamente, uma noite igual a tantas outras, com a única diferença de o fazerem com indumentárias que não trajariam em ocasiões normais. Jantar, mais mascarados, mais copos e os joguinhos do costume - os tais do género, perdes-bebes. O meu J. que agora que é um homem "casado", deixou-se das doideiras de antigamente e a verdade, meus caros, é que já não aguenta o álcool como dantes. Pena. É uma pena, sim senhor, ou não haveria tanta foto a documentar o comportamento animal do meu amorzinho.
Por volta da 1h30, depois de tentarmos arrastar os resistentes jogadores do "perdes-bebes", fomos para o Teatro da Comuna. Para nosso espanto e meu contentamento, não havia filas nenhumas. Eu e os meus pés quase chorámos de alegria. Quando alguém iluminado resolve sair-se com esta: "se não há filas é sinal que isto aqui está uma grande merda!". Excuse me? Não percebi, caríssimo. Então quando chegamos cá das outras vezes e há uma fila tão grande que chega à Av de Berna és o primeiro a dizer: "isto com esta fila está uma grande merda", e agora que o povo resolveu entrar todo antes de nós para nos poupar a dureza da espera, tu queres ir embora?
Vai uma conversação de meia hora, para discutir as alternativas. (E a je a segurar o namorado bêbado, que só tinha vontade de dar tiros com a minha espingarda, além de me tirar o chapéu 200 mil vezes.) Fábrica de Braço de Prata? (E a je a segurar o namorado bêbado que se divertia em expelir aquele arzinho aromatizado a taberna para a cara.) Torres? Torres?! A esta hora? (E a je a segurar o namorado bêbado que resolvera enfiar os dedinhos nos meus ouvidos.)
Hoje sei que a alternativa foi o Lux. Não fomos. O J. adormeceu profundamente depois de ter ido andar de escorrega no parque infantil aqui perto de casa e depois de ter mijado o chão da casa de banho (não acertou o alvo, diz-me ele. Sacana!).
Hoje de manhã já era outro dia. Felizmente.

The Visitor


Hoje foi dia de ir ao cinema, que já não fazia há uns dias. Desta feita, escolhemos este.

Só tenho uma coisa a dizer: há muito que não via um filme com uma história de amor e devoção ao outro tão grande, que chega a meter raiva o facto de ser praticamente impossível controlar a lagrimita.
Recomendo. Vivamente. Mas mudava o fim.